Doença que ao ser diagnosticada, para muitos é uma sentença de morte. O mito de que o câncer não tem cura, leva as pessoas, até mesmo aquelas que tem conhecimento, a condenar à morte, quem está com a doença.

Estamos assistindo um cenário onde dois ícones da política, Dilma Rousseff, Ministra da Casa Civil e José de Alencar, vice-presidente da república, passa pelo drama da doença.

Já na literatura brasileira, é a grande autora de novela, Glória Pérez, que também vive o drama da sentença de morte. Esta que, por ironia do destino, apresentou o problema, na ficção, em algumas de suas novelas, hoje vivendo o drama na vida real.

Dilma Rousseff já foi condenada pelo partido do PMDB, quando seus representantes solicitaram ao presidente Lula, um plano B para a candidatura à presidência da república, devido a sua doença.

Considero de muito mau gosto já que Dilma, está em tratamento e não sabemos ainda qual é o seu destino. É importante lembrar que todos nós estamos sujeitos a contrair uma doença, seja ela “maligna” ou não e sujeitos a morrer qualquer hora, portanto não devemos fazer juízo de valores.

Pesquisa encomendada pelo partido do PT ao Instituto Vox Populi, no início do mês, mostrou que Dilma tem intenção de voto mais alta entre os eleitores que sabem do seu tratamento para combater um câncer no sistema linfático. Após a doença esta já subiu 6% nas pesquisas.

Os médicos especialistas afirmam que o linfoma o qual a ministra contraiu é uma doença silenciosa. Por isso, para se detectar, os exames preventivos são de grande importância, no entanto devem ser mais específicos. Mesmo que seja silenciosa, em alguns casos é possível perceber os sintomas. Temos que levar em consideração que não é só o câncer que mata, há outras doenças que, também quando não cuidadas, levam seus portadores a óbito.

O linfoma, doença a qual a ministra e glória Perez contraíram, atinge principalmente os gânglios linfáticos que estão distribuídos no pescoço, pulmão, coração, axilas, virilhas, tórax e abdômen. Os caroços mais perceptíveis são na região da axila, virilha e pescoço. Nas demais áreas não há como percebê-los.

Segundo os médicos, as chances de cura do Linfoma podem chegar até 90% se diagnosticado precocemente, trata-se de um câncer não muito comum que acomete a população em geral. Na sua maioria pessoas acima de 60 anos.

Posso afirmar que há vida sim após o câncer. Ninguém melhor do que eu para falar a este respeito, pois sou a prova viva.

Quando em meados do ano de 2003 percebi que havia algo de estranho na minha mama direita, mesmo fazendo os exames de prevenção anualmente. Ao fazer uma consulta, o médico falou que aquele caroço era suspeito. Perguntei, já deduzindo o que deveria ser, se tinha cura, este falou que sim, e eu lhe respondi, com propriedade que iria me curar.

Ao realizar os exames foi diagnosticado um linfoma. Ao chegar em casa ao dar a notícia para o meu esposo, este chorou, pois também já imaginou o pior. Perguntei por que o choro, pois se eu viesse a falecer, já tínhamos vivido 30 anos, constituído uma família de cinco filhos e cinco netos, portanto, este estava sendo egoísta.

Daquele dia em diante passei a conviver com o drama do câncer. Dei início ao tratamento onde me submeti a treze doses de quimioterapia e trinta de radioterapia. O tratamento é muito doloroso, o mais importante é obedecer todas as orientações, médico/hospitalar.

Eu não me permiti ficar acamada. Durante o tratamento saí candidata à vereadora pelo meu partido, pois este precisava completar a legenda das mulheres. Mesmo operada participava das reuniões e dos comícios. Em todos eles era necessário à apresentação e o discurso. Também usei a peruquinha básica, o que não tirou o meu humor em momento algum. A maioria dos companheiros de partido, não ficaram sabendo do problema, pois não deixava transparecer, estava sempre bem vestida, pintada e de bem com a vida, o que considero ter contribuído para um bom resultado.

O segredo da cura é não se sentir doente, apenas com a doença. O que é necessário também é a mudança de comportamento, principalmente, hábitos alimentares, estar sempre de bem com a vida e não cair em depressão. O apoio da família também e fundamental, meus filhos e esposo nunca se mostraram desanimados, esses falavam que enquanto eu estivesse bem, estes estariam também. Portanto eu tinha a obrigação de estar bem.

Posso afirmar, segundo estudos científicos, que as chances de cura são maiores quando a doença é diagnosticada logo no início, caso seja descoberta em estágio avançado, esta pode levar à morte.

Considero-me, totalmente curada, haja vista pesquisas científica, que afirmam que se a doença não voltar no período de cinco anos, a possibilidade do paciente que a contraiu é de 100% está curado.

O que mudou na minha vida é que hoje eu valorizo cada minuto, os cuidados com a saúde redobraram e todos os dias quando eu acordo agradeço a Deus por mais um dia. Estou sempre comemorando a vida e vivo cada minuto como se fosse o último.

O que eu recomendo para todas as pessoas é que façam sempre os seus exames preventivos. Não basta somente fazer os exames de rotina, que são importantes, mas é importante lembrar que os check-ups mais comuns feitos pelos pacientes não tem valor de diagnóstico de uma doença como essa. Nesse caso é necessário um check-up mais específico.

Fonte:

Folha Metropolitana de Guarulhos, 20/05/09

Caderno Especial: Saúde & Você – pág. 3

Luma, Lucineide Maria.