Ex-volantes do Timão no ano do Mundial de Clubes se encontram como técnicos de Grêmio Osasco e Flamengo de Guarulhos. Vamp vence: 3 a 0

O abraço longo, antes de a bola rolar no Estádio Municipal Prefeito José Liberatti, demorou para se repetir depois do jogo. Não que a amizade tenha esfriado. Mas a derrota do Flamengo de Guarulhos, time do ex-volante Freddy Rincón, por 3 a 0 para o Grêmio Osasco do também ex-volante Vampeta, mexeu com o treinador colombiano. A rodada da Série A-3 do Campeonato Paulista, realizada na última quarta-feira à tarde, em Osasco, colocou frente a frente dois companheiros que marcaram época no Corinthians. E atraiu a atenção da imprensa para a disputa.

Como comandantes das equipes, Vampeta e Rincón, que formaram a dupla de volantes da vitoriosa campanha corintiana do Mundial de Clubes de 2000, se enfrentaram pela primeira vez. E, assim como faziam em campo, mostraram estilos bem diferentes como treinadores.

Vampeta faz o tipo mais despojado, mas sem deixar de cobrar seus jogadores. Entre uma dura e outra na equipe, se virava para a reportagem do GLOBOESPORTE.COM para convidar para uma cerveja depois da partida do próximo fim de semana, contra o Taubaté, arrancando risos dos jogadores reservas. Durante o confronto, alternou entre o senta e levanta do banco de reservas para se proteger do sol forte.

Ele tem um estilo próprio de comandar a equipe. Não dá para comparar com nenhum outro treinador que tive. Brinca com os jogadores, mas também xinga pra caramba! Tomamos uma baita bronca no intervalo para o time acordar – comentou o volante Rogério, que já teve passagens por Palmeiras e Corinthians.

A poucos metros, o rival Rincón não poupava palavrões para chamar a atenção dos jogadores do Flamengo de Guarulhos. Como quando era atleta, se mostrava nervoso. Vez ou outra extrapolava o limite da área de instruções e era orientado pelo quarto árbitro a voltar para o espaço restrito. Sem sorrisos, sem brincadeiras com nenhuma pessoa.

– Eu sou trabalhador e cobro muito os meus jogadores. Quero que eles sejam como fui. É claro que tenho respeito por todos, mas não posso deixar de cobrá-los – disse Rincón, momentos depois da partida.

Se um abusava do palavreado baixo, o outro procurava orientar de modo que ainda pudesse desestabilizar o adversário. “Vai pra cima! Não é o Flamengo grande, não! É o de ‘Bagulhos’”, dizia Vampeta ao seu atacante, ironizando o nome da cidade de origem do Rubro-Negro.

Rogério (Foto: Marcos Ribolli)Rogério, ex-companheiro de ambos, é capitão do
Grêmio Osasco (Foto: Marcos Ribolli)

Na arquibancada, os cerca de 700 torcedores que pagaram R$ 5 para assistir ao duelo se divertiam com os treinadores à beira do gramado. Renato Rocha, secretário médico, torcia pelo time de Vampeta. “Tira o Bispo, Vamp! Ele é muito ruim”, gritava para o técnico do time da casa, para depois pegar no pé do volante Rogério: “Vai! Aproveita que o Robinho não está em campo!”, debochou, lembrando a jogada que originou o primeiro gol santista na final com o Corinthians, no Brasileiro de 2002.

No jogo, a cabeça de Rincón, que a todo instante era molhada por causa do calor de mais de 30º em Osasco, esquentou ainda mais com os gols sofridos, todos no segundo tempo. Foram dois de cabeça (Júlio e Eder marcaram) e outro em jogada na pequena área (marcado por Bispo, alvo da ira do torcedor).

A amizade foi esquecida por alguns instantes. Os 3 a 0 contra fizeram Rincón se recusar a dar um abraço no ex-companheiro logo após do jogo, a pedido da imprensa.

– Não vou! Eu vejo ele toda hora!

Enquanto Vampeta se divertia, esbanjando ironias, Rincón estava desolado do outro lado do muro. Cabisbaixo e inconformado com a primeira derrota sofrida. Meia hora depois, mais calmo, reapareceu ao lado do seu antigo parceiro.

Como ele me disse que, quando jogar em Guarulhos não vai tirar a comida da minha casa”
Rincón

– Fizemos uma dupla que ninguém gostava de perder no passado. E hoje ainda é assim. Mas tudo bem. Perdi, mas tem a partida de volta. E, como ele me disse aqui, quando jogar em Guarulhos não vai tirar a minha comida de dentro da minha casa – provocou Rincón.

– Ele que começou com essa ideia de eu ser treinador, no ano passado, no Nacional. É meu mestre. Mas o discípulo ganhou – respondeu Vampeta, aos risos.

Rodeados por jornalistas, como no passado, eles celebraram a amizade, apesar de o resultado não ter agradado ao treinador Rincón.

– Estou me sentindo no final de uma partida entre Corinthians e Palmeiras, em que nós ganhamos o jogo. E eu e o Freddy fomos eleitos os melhores jogadores – brincou Vampeta.

fonte: globo esporte